Confesso que conheço pouquíssimas pessoas ambidestras — aquelas que executam tarefas motoras finas com a mesma habilidade e destreza com ambas as mãos. É algo bastante raro, em torno de 1% da população mundial.

E organizações ambidestras?

A ambidestria organizacional se caracteriza por ter tanto a habilidade de explorar o negócio atual com alta eficiência (exploitation), quanto novas oportunidades e inovações olhando para o futuro (exploration).

É manter o core business e a exploração de novas oportunidades não apenas simultaneamente, mas com a mesma capacidade e destreza. Conciliar a operação com a inovação. Atingir o resultado de curto prazo com a sobrevivência no longo prazo.

Enorme desafio, certo? Tão grande que há outros conceitos e modelos que abordam este desafio com a mesma lógica, mesmo que em camadas ou níveis diferentes.

Conceitos correlatos
TI Bimodal: o modo 1 foca na estabilidade e eficiência dos sistemas existentes; o modo 2 é exploratório, ágil e voltado para a inovação.
Motores da inovação: o motor 1 foca no negócio atual, eficiência operacional e rentabilidade; o motor 2 em novos negócios, fluxos de receita e perspectivas estratégicas.
Horizontes de inovação: H1 com foco na inovação incremental do core business; H2 e H3 focando em novos negócios — sendo o H3 referente a negócios futuros com alto grau de incerteza e caráter mais disruptivo.

No fundo, a pergunta a ser respondida é: como garantir o resultado de curto prazo — que afinal é quem paga a conta, permite o crescimento da empresa e deixa os acionistas felizes — sem perder a visão de futuro que garante a perenidade do negócio?

Os 6 pilares da ambidestria organizacional

Um artigo publicado pela London Business School em 2014, intitulado Organizational Ambidexterity, traz uma visão interessante ao afirmar que construir ambidestria organizacional requer uma mudança radical organizada em seis pilares:

London Business School · 2014
Liderança e cultura
Pessoas e skills
Estrutura e governança
Processos e métodos
Sistemas e ferramentas
Gestão da performance

Ou seja: uma liderança que banque esse modelo e atue para a criação da cultura, atraindo e capacitando as pessoas certas no lugar certo, com uma estrutura e governança que suportem tanto a exploitation quanto a exploration, suportada por processos, métodos, sistemas e ferramentas apropriados — e com uma gestão de performance que não olhe apenas o run the business, mas também a execução da estratégia de longo prazo de forma coerente e equilibrada.

Como diz o subtítulo do artigo: "entender uma organização ambidestra é uma coisa, torná-la realidade é outra". Como costumo dizer: é simples, mas nada fácil.

Talvez a reflexão não seja quantas organizações ambidestras conhecemos, mas quantas realmente estão dispostas a pagar o preço para se tornarem uma.