A busca por medir, acompanhar e, principalmente, comprovar o ROI na inovação virou uma espécie de busca pelo Santo Graal. Uma solução milagrosa capaz de reverter o descrédito, reestabelecer a confiança e, principalmente, o orçamento das iniciativas de inovação corporativa.

O estudo "ROI na Inovação – Benchmark Report 2025", conduzido pela Match IT, demonstra que medir o ROI da inovação ainda é uma novidade:

52%
das empresas começaram a medir o ROI há menos de 2 anos
Match IT · 2025
5%
têm essa prática há mais de 5 anos
Match IT · 2025
30%
ainda não começaram — mesmo priorizando eficiência financeira
Match IT · 2025

Houve evolução: a pesquisa Estado da Inovação no Brasil (ACE Startups, 2018) concluiu que apenas 25% das empresas calculavam o ROI da inovação à época. Aos poucos, vai se deixando para trás a visão deturpada de que a inovação não estaria sujeita a entregar retorno.

O álibi perfeito

É verdade que medir ROI na inovação é mais complexo, principalmente para iniciativas de mais longo prazo (H2 e H3), dada a incerteza, o time lag e a sobreposição com outras mudanças. Talvez por isso o grande argumento que aparece com frequência seja classificar os benefícios esperados como "intangíveis".

O intangível aparece como o álibi perfeito para justificar projetos sem se preocupar com o ROI. Afinal, os benefícios intangíveis são muitas vezes conceitualmente indiscutíveis a ponto de justificarem grandes investimentos. Como não investir em inovações que melhorem o ambiente de trabalho? Que aumentem a satisfação do cliente? Que criem uma cultura de inovação? Benefícios claros, óbvios — e intangíveis.

Será? Na maioria das vezes, o ROI está a apenas 2 ou 3 perguntas bem feitas.

Da cadeia de perguntas ao retorno tangível

Tomando os exemplos acima:

Pergunta 1
Qual o objetivo de melhorar o ambiente de trabalho? → Aumentar a satisfação dos colaboradores. Intangível.
Pergunta 2
O que se espera de colaboradores mais satisfeitos? → Menor turnover? Maior produtividade? Menor absenteísmo? Tangível.
Resultado
É possível estimar o custo da saída de um colaborador, a receita do aumento de produtividade e o impacto das horas recuperadas com menor absenteísmo.
Pergunta 1
E a satisfação do cliente? → Intangível, mas há boa evidência de correlação com retorno financeiro.
Pergunta 2
Qual o objetivo de melhorar a satisfação do cliente? → Vender mais? Tangível. Reduzir churn? Tangível. Aumentar ticket médio? Tangível.

Pode não ser simples e direto. Pode, dada a natureza exploratória e de longo prazo dos projetos de inovação, ser mais desafiador. Pode exigir o estabelecimento de premissas e parâmetros. Mas pode sim ser estimado.

Se não estimarmos e acompanharmos o ROI, nunca chegaremos a um modelo maduro. E nunca conseguiremos de fato comprovar o retorno da inovação.

O ROI é apenas uma das métricas. Não vai resolver sozinho todos os problemas. Mas pode ser determinante para restaurar a confiança e destravar os orçamentos que podem salvar a inovação.