Curadoria Diária · Arquivo Consolidado

Inovação, Estratégia e Tecnologia

Seleção comentada de artigos publicados entre 5 e 12 de maio de 2026, organizados por tema para leitura rápida e tomada de decisão. Fontes: BCG, McKinsey, MIT, Gartner, Harvard Business Review, World Economic Forum e outros.

Maio de 2026 7 edições · 21 artigos ~40 min de leitura
01 Inteligência Artificial 8 02 Corporate Venture Capital 4 03 Venture Building 3 04 Open Innovation & M&A 3 05 Inovação Corporativa 3

Macro-tema 01

Inteligência Artificial

Adoção corporativa, governança e agentes autônomos

Artigo 1 05 mai 2026

BCG AI Radar 2026: o CEO virou o chief decision maker da inteligência artificial

A nova edição do AI Radar da BCG, com 640 CEOs entre 2.400 executivos pesquisados em 16 mercados, traz um dado que reposiciona o debate sobre adoção corporativa de IA: quase três quartos dos CEOs hoje se declaram o decisor principal de IA em suas empresas, e 82% se dizem mais otimistas com o tema do que há um ano.

O movimento vem com cheque na mesa. A previsão é que o investimento em IA passe de 0,8% para cerca de 1,7% da receita corporativa em 2026, e mais de 30% desse orçamento já está alocado em agentic AI. Mais de 90% dos CEOs afirmam que manterão ou ampliarão o investimento mesmo se o retorno não vier no curto prazo.

A leitura entre linhas é que a IA deixou de ser projeto de inovação e virou pauta de board. Quando o CEO toma para si essa agenda, governance, risco e capability building tendem a sair da retórica e entrar no PDCA.

Para o board brasileiro, a pergunta deixa de ser "vamos adotar IA?" e passa a ser "quem na C-suite responde por isso, com que budget e contra que métricas?". Quem não tiver essa resposta clara em 2026 estará atrasado em relação a uma curva que os concorrentes já começaram a subir.

Artigo 2 06 mai 2026

95% dos pilotos de IA generativa não entregam ROI — e o problema é organizacional

O número que circulou em 2026, atribuído a estudo do MIT, é difícil de digerir e mais difícil de ignorar: 95% dos pilotos corporativos de IA generativa não entregam retorno mensurável. Pesquisas paralelas confirmam o desconforto: para cada 33 protótipos construídos, apenas 4 chegam à produção, taxa de 88% de falha.

A leitura recorrente nos relatórios é que o gargalo não é o modelo. É a arquitetura ao redor dele: pipelines de dados, integrações, fluxos de trabalho e, sobretudo, governança. Pesquisa da AGAT Software mostra que 82% dos executivos dizem confiar nas suas políticas, mas apenas 14,4% das organizações enviam agentes à produção com aprovação completa de segurança ou TI. É nesse gap que mora o problema.

Em paralelo, surge um sinal de profissionalização: 56% das empresas já nomearam um agentic ops lead ou dono formal de agentes em 2026, contra 11% em 2024. Uma função nova nascendo em resposta direta à dor de governar o que vai a produção.

Para o conselho que ainda trata IA como projeto de POC, o recado é direto: o problema não é de tecnologia, é de operação. Sem dono claro, controle de mudança, observabilidade e métrica de retorno, qualquer piloto vai engrossar a estatística dos 95%. A disciplina exigida é tradicional; só o objeto é novo.

Artigo 3 07 mai 2026

Empresa agêntica: o conselho descobriu que governança de IA virou problema dele

O dossiê do MIT Sloan Management Review com o BCG Henderson Institute traz um diagnóstico desconfortável. Mais de um terço das grandes empresas já operam sistemas de IA agêntica em produção e outros 44% planejam fazê-lo em até dois anos. A vanguarda já está rodando agentes autônomos em workflows críticos. A retaguarda ainda não acordou.

Os números sobre governança são duros. Apenas 21% das organizações dizem ter modelo maduro para administrar agentes autônomos. 60% não têm framework formal. E só 24% têm visibilidade sobre quais agentes conversam com quais — o equivalente a operar uma empresa onde ninguém sabe quem manda e-mail para quem.

Agente não é ferramenta: é colaborador automático que decide e age. O MIT recomenda explicitamente tratá-lo como coworker, com matriz de papéis, escalation paths e auditoria contínua. Isso desloca a discussão da TI para o conselho, e os autores apontam que governança de IA já ultrapassou cibersegurança em prioridade de board.

Para o conselho brasileiro: quem ainda discute política de uso de ChatGPT está lutando a guerra anterior. A próxima onda exige RACI de agente, decisão sobre nível de autonomia delegável e capacidade de prestar contas por output autônomo. Não é projeto de TI: é desenho organizacional.

Artigo 4 08 mai 2026

KPMG e INSEAD estabelecem cinco princípios para governança de IA nos conselhos

Três quartos dos conselhos no mundo têm expertise moderada ou limitada em IA. Não é dado novo. O que é novo é que KPMG e INSEAD decidiram fazer algo a respeito: em abril de 2026, publicaram um framework global com cinco princípios de governança de IA para conselhos.

Os princípios cobrem supervisão estratégica de longo prazo, gestão ativa de tecnologia e segurança (soberania de dados, cyber), transformação do workforce com preservação da responsabilidade humana, adoção de IA confiável alinhada a valores e regulação, e o mais revelador: adaptação dos próprios processos do conselho à era da IA.

O quinto princípio merece atenção. Não basta supervisionar a IA nas operações. O conselho precisa repensar como ele mesmo funciona. Isso ainda é raro, inclusive no Brasil.

Para conselheiros e C-level: governança de IA não é pauta de comitê de tecnologia. É pauta de conselho. Quem ainda não colocou isso na agenda de 2026 está operando com um blind spot relevante.

Artigo 5 10 mai 2026

Transformação por IA é transformação de força de trabalho

Toda empresa quer dizer que está implementando IA. Poucas entendem o que isso realmente exige.

Um relatório do Boston Consulting Group publicado em fevereiro de 2026 deixa claro: as empresas que extraem mais valor da IA são exatamente as que têm os programas de capacitação mais ambiciosos. Não é coincidência. É causalidade. Líderes nessas organizações demonstram três vezes mais comprometimento ativo com a adoção de IA do que nas empresas que ficam no discurso. Tecnologia sem redesenho de papéis, processos e competências não gera resultado: gera custo.

O BCG consolida uma percepção recorrente: o projeto de IA que começa com "qual ferramenta vamos usar?" está começando pelo lugar errado. A pergunta certa é: qual trabalho vai ser feito de forma diferente, por quem, e com qual suporte de capacitação?

Para executivos brasileiros: organizações que tratam IA como projeto de TI vão gastar e não transformar. As que tratam como transformação de força de trabalho, com programa de upskilling estruturado e patrocínio de liderança, têm chance real de capturar o retorno. A tecnologia é a parte mais fácil. O resto é gestão.

Artigo 6 11 mai 2026

IA agêntica no pico da euforia: o que vem depois importa mais

O Gartner publicou em abril seu Hype Cycle for Agentic AI 2026: a IA agêntica está no pico das expectativas infladas. Oitenta por cento dos aplicativos enterprise entregues no primeiro trimestre de 2026 já embarcam algum agente de IA. O problema é que apenas 17% das organizações chegaram a fazer um deployment de fato.

O gap entre intenção e realidade é considerável: mais de 60% das empresas planejam adotar agentes nos próximos dois anos, mas o Gartner projeta que mais de 40% dos projetos serão cancelados até 2027. Os motivos são os de sempre: custos escalando sem ROI claro, ausência de governança para sistemas autônomos e dados de baixa qualidade como bloqueador principal (citado por 52% dos respondentes).

O que o Hype Cycle sinaliza para executivos brasileiros é que o momento de construir a arquitetura de governança para agentes de IA é agora, não depois que os projetos fracassarem. Entrar tarde no ciclo com estrutura sólida vale mais do que pilotar cedo sem critério.

Artigo 7 11 mai 2026

Da experimentação à transformação: a armadilha da microprodutividade

Há uma razão pela qual a maioria das empresas investe em IA e não consegue mostrar impacto nos resultados: elas estão otimizando tarefas, não repensando processos. O HBR publicou em abril um diagnóstico preciso para esse fenômeno, batizando-o de "micro-productivity trap" (armadilha da microprodutividade).

A armadilha funciona assim: pilotos geram ganhos localizados de produtividade, mas como os workflows não mudam, o impacto não se propaga para o negócio. A pesquisa identifica quatro movimentos para sair desse ciclo: restringir estrategicamente os casos de uso, redesenhar processos cross-funcionais, engajar a linha de frente e medir resultados atrelados ao valor de negócio — não a métricas de adoção ou de uso.

Para executivos que já passaram pela fase dos pilotos, a pergunta certa não é "quantas IAs estamos usando?" mas "quantos processos críticos foram efetivamente redesenhados?". A diferença entre experimentação e transformação é, basicamente, essa.

Artigo 8 12 mai 2026

Confiança em IA em 2026: o problema não é mais o que o sistema fala, mas o que ele faz

A McKinsey publicou o relatório "State of AI Trust 2026", que documenta o avanço da maturidade em governança de IA nas empresas, ao mesmo tempo que expõe um paradoxo preocupante: a pontuação média de maturidade cresceu de 2,0 para 2,3 em escala de cinco pontos. Menos de um terço das organizações atinge nível 3 ou superior em estratégia, governança e controles de IA agêntica.

A virada de chave conceitual do relatório é precisa. Na era dos agentes autônomos, o risco central deixa de ser o que a IA diz e passa a ser o que ela faz. Sistemas que tomam decisões, executam tarefas e interagem com outras ferramentas sem supervisão humana contínua requerem governança em tempo real, não apenas políticas documentadas em papel.

Para executivos brasileiros: governança de IA precisa deixar de ser um tópico de relatório anual e virar rotina operacional. Organizações que não construírem esse músculo agora enfrentarão custo de remediação muito mais alto quando a escala dos agentes não permitir mais ajustes incrementais.

Macro-tema 02

Corporate Venture Capital

Fundos corporativos, teses de investimento e ecossistema de VC

Artigo 1 06 mai 2026

CVC em 2026: menos cheques, cheques maiores e tudo apontando para IA

O capital de risco corporativo entrou em 2026 dando mais sinais de seletividade do que de freio. Os relatórios do State of CVC e as leituras de mercado apontam um deslocamento estrutural: da dispersão para a concentração.

Segundo dados da CB Insights consolidados pela Affinity, o volume de operações de CVC tocou o menor patamar dos últimos sete anos enquanto o cheque mediano subiu para US$ 10 milhões (ante US$ 8,9 milhões em 2024). Mais relevante: 7 das 10 maiores rodadas com participação de CVCs foram em startups de IA, com os EUA capturando 70% do funding global.

Os CVCs estão privilegiando as camadas que tornam a IA viável: compute, observabilidade, pipelines de dados, plataformas de deploy, automação de fluxo. Não apenas as aplicações de superfície. É um deslocamento de posicionamento na cadeia de valor.

Para o board brasileiro que ainda se pergunta se vale manter um veículo de CVC ativo: CVC sem tese clara é alocação de capital com glamour. O instrumento virou ferramenta de inteligência tecnológica antes de ser ferramenta de retorno financeiro.

Artigo 2 07 mai 2026

CVC brasileiro defende estabilidade de longo prazo — e enfrenta seu primeiro teste de ciclo

Levantamento da Apex Brasil traz declaração coordenada dos três maiores fundos brasileiros de Corporate Venture Capital (L4 Venture Builder da B3, Carbon e Suzano Ventures) sustentando que o atributo central do CVC nacional é estabilidade de longo prazo, não retorno financeiro de curto. Somados, os três operam quase R$ 1 bilhão.

Os números reforçam o argumento. O L4, lançado pela B3 com R$ 600 milhões para cinco anos, já alocou 45% do capital comprometido em pouco mais de um ano e meio. A Suzano destinou US$ 70 milhões à sua tese de carbono, tratando o elemento como ativo comerciável.

A retórica está alinhada com o que MIT Sloan e BCG recomendam: capital paciente, integração operacional, tese vertical. O ponto frágil é outro: o CVC brasileiro nunca passou por uma virada de ciclo da empresa-mãe. Quando o controlador apertar custo, mantém o fundo? Suporta write-off de cheque que não retorna?

O argumento da estabilidade é o argumento certo. Mas a maturidade só será aferida no primeiro estresse. Para o conselho que está montando ou avaliando um CVC agora, o critério útil não é o tamanho do cheque: é a governança da tese e a disciplina para sustentá-la em ano ruim.

Artigo 3 10 mai 2026

CVC que dura vs. CVC que some

A pergunta não é mais se a empresa deve ter um CVC. É se ela vai conseguir mantê-lo vivo o suficiente para importar.

Um estudo publicado na Harvard Business Review em março de 2026 identificou um padrão persistente: fundos de CVC são lançados com alarde, aparecem em press releases e earnings calls, e três ou quatro anos depois somem discretamente do organograma — frequentemente, mesmo quando entregaram resultados. Os times são absorvidos por M&A ou estratégia, e o nome do fundo deixa de ser mencionado.

O problema não é financeiro. É organizacional. CVCs que sobrevivem tratam o mandato estratégico como um ativo a ser defendido, não como subproduto do ciclo de inovação do controlador. Autonomia de decisão, métricas desconectadas do ciclo orçamentário tradicional e conexão genuína com o core do negócio fazem a diferença.

Para o contexto brasileiro, onde a maioria dos CVCs ainda está no primeiro ou segundo ciclo: antes de lançar o fundo, defina o que vai garantir sua sobrevivência quando o humor do CEO mudar ou o orçamento apertar. Longevidade se projeta antes da primeira reunião de board.

Artigo 4 12 mai 2026

O venture capital ainda consegue financiar a próxima onda de inovação?

O World Economic Forum publicou em maio de 2026 uma análise que coloca em xeque a capacidade do venture capital de continuar sendo o principal motor da inovação global. O diagnóstico é preciso: enquanto os ativos totais do setor chegaram a US$ 3,5 trilhões (sete vezes o valor de 2008), US$ 3,2 trilhões seguem represados em portfólios sem liquidez.

O dado mais revelador é a concentração extrema: no primeiro trimestre de 2026, quatro empresas de IA captaram juntas US$ 188 bilhões, representando 65% de todo o investimento em venture capital no mundo no período. O efeito crowding out é real. Segmentos como biotech, climatetech e deep innovation competem por uma fatia cada vez menor do deal flow global.

Em 2025, o volume de transações secundárias chegou a US$ 106 bilhões, representando um terço do valor de saída de empresas de VC nos Estados Unidos, ante apenas 3% uma década atrás.

Para o ecossistema brasileiro: diversificar as fontes de capital para inovação deixa de ser recomendação e vira imperativo. Corporate venture, capital público e instrumentos híbridos precisam ocupar espaços que o VC tradicional não consegue mais preencher sozinho.

Macro-tema 03

Venture Building e Novos Negócios

Criação de ventures corporativos, venture studios e venture clienting

Artigo 1 05 mai 2026

Venture studio corporativo: as quatro pré-condições que decidem se vale ou não

O MIT Sloan Management Review publicou um artigo provocativo sobre venture studios corporativos: modelo que muitos boards brasileiros adotam como atalho para venture building sem encarar o que ele realmente exige.

As autoras listam quatro condições não-negociáveis: ativos especializados (talento, IP ou insight de mercado), combinação entre recursos internos e capacidades externas, mecanismos de governança próprios e compromisso de longo prazo de tempo e capital. Quando uma dessas pernas falta, o studio é descartado na primeira reorganização.

A nuance importa: venture studio não é incubadora interna, nem CVC, nem sandbox de inovação. É um veículo de criação sistemática de novos negócios que exige proteção contra a burocracia da empresa-mãe.

No Brasil, onde várias estruturas de venture building foram criadas sob retórica de inovação aberta mas vivem da boa vontade do board, aplicar o teste das quatro condições é um exercício útil antes de defender o orçamento de 2027.

Artigo 2 07 mai 2026

Venture clienting ganha tração: o modelo menos glamoroso é o que mais entrega

A pesquisa Keystone do Global Corporate Venturing mostra que 49% dos times de corporate venturing já praticam venture clienting: modelo em que a corporação compra a tecnologia da startup como cliente, não como investidor. O número era 47% no ano anterior, e o salto vem em um momento de aperto orçamentário.

As unidades operam com orçamento abaixo de US$ 500 mil ao ano, com pilotos típicos entre US$ 10 mil e US$ 50 mil, focando em startups Series A+ (com produto e cliente, não com slide). A Holcim conduz mais de 25 pilotos por ano em três a seis meses cada. 81% das unidades medem por redução de custo e 72% por geração de receita.

A diferença em relação ao venture studio é estrutural, não de grau. O venture studio cria empresa; o venture clienting evita criar e captura o resultado via contrato comercial. Funciona porque depende de procurement maduro e dor real do negócio, não de teatro de inovação.

Para a corporação brasileira: é o caminho mais sóbrio para encostar em startup sem comprometer balanço. Mas exige uma disciplina que a maioria dos hubs locais ainda não tem: definir o problema antes da startup, e tratar o piloto como compra, não como experimento.

Artigo 3 11 mai 2026

Venture building na agenda do CEO: desempenho separa os maduros dos iniciantes

A McKinsey publicou os resultados de sua quinta pesquisa anual sobre corporate venture building: metade dos CEOs consultados cita o desenvolvimento de novos negócios como uma das três prioridades principais. Dois em cada três pretendem lançar ventures no próximo ano.

O que mais chama atenção são os dados de performance: empresas com capacidade madura de venture building crescem organicamente 2,8 pontos percentuais a mais e têm o dobro da taxa de sucesso em comparação com as iniciantes. O tamanho médio dos maiores ventures construídos por incumbentes na última década supera em 1,5 vez o dos maiores startups independentes no mesmo período.

Há um ponto de atenção: 60% dos respondentes estão priorizando ventures habilitados por IA generativa nos próximos cinco anos. A pressão pelo tema de moda pode comprometer a disciplina de execução que separa os maduros dos novatos.

A lição que fica é que venture building não é um programa; é uma capacidade organizacional construída ao longo de ciclos. Quem entrar esperando resultados rápidos vai engordar as estatísticas do lado errado da curva.

Macro-tema 04

Open Innovation e M&A Estratégico

Programas de inovação aberta, parcerias com startups e aquisições estratégicas

Artigo 1 05 mai 2026

M&A em tech no Brasil em 2026: do oportunismo ao instrumento de estratégia

Análise da Fortezza Partners aponta uma virada de chave no M&A de tecnologia brasileiro: depois de quatro anos entre ajuste e retomada seletiva, 2026 marca a passagem do movimento oportunístico para a aquisição como instrumento estratégico de criação de valor de longo prazo.

Os números reforçam o argumento. Mais de 70% das transações de tech assessoradas em 2025 foram para compradores estrangeiros, e 84% dos principais compradores nacionais declararam intenção de fechar ao menos uma aquisição até o fim de 2026. Fintechs, SaaS verticalizados, software de gestão e empresas com IA generativa concentram o interesse.

O sub-texto é relevante para inovação corporativa: quando o estratégico lidera, M&A vira extensão direta da agenda de open innovation — comprar capability mais barato e mais rápido do que construir, especialmente em IA.

Para o consultor de inovação: revisitar a tese de M&A do cliente é hoje mais urgente do que rodar mais um demo day. A inovação aberta brasileira amadureceu — e amadurecer significa, neste ciclo, transacionar.

Artigo 2 06 mai 2026

100 Open Startups muda a régua: open innovation no Brasil agora será medido por impacto

A 100 Open Startups, principal plataforma de open innovation da América Latina, anunciou nova metodologia para a segunda década de seu ranking (2026-2035). Depois de dez anos consolidando o maior repositório de evidências de relacionamento entre corporações e startups da região, a plataforma deixa de medir apenas volume e passa a medir impacto e resultados comprováveis.

A barra subiu. Para corporações elegíveis, exige-se mais de 100 funcionários ou faturamento acima de US$ 20 milhões em 2025, com contratos ativos no ano-base. E pesa mais quem coloca dinheiro real em jogo: contratos com valor pecuniário acima de US$ 200 mil valem 20 pontos, independentemente da categoria.

O contexto justifica a mudança. O ecossistema movimentou R$ 6,4 bilhões entre corporações e startups nos últimos 12 meses, com 91% das empresas usando PoC como modelo dominante, e mais da metade reconhecendo dificuldade de escalar a solução depois do piloto.

Se a nova régua castigar quem não tira do piloto, finalmente teremos como diferenciar corporação que faz open innovation de corporação que faz marketing com startup.

Artigo 3 12 mai 2026

Inovação aberta em 2026: conectar-se a startups já não é suficiente

A Venture Hub publicou uma análise sobre o estado atual da inovação aberta no Brasil com uma tese central direta: conectar-se a startups deixou de ser um diferencial estratégico. O acesso ao ecossistema tornou-se commodity. O desafio real de 2026 é transformar conexões em decisões melhores.

O texto identifica um equívoco recorrente nos programas corporativos: a confusão entre conexão e geração de valor. Organizar hackathons, participar de aceleradoras e manter um portfólio de parcerias com startups não implica, por si só, resultado estratégico. O que diferencia as empresas que extraem valor real é a capacidade de tomar decisões de exploração com mais inteligência e velocidade.

O diagnóstico ressoa com o que a prática de consultoria confirma: muitos programas de inovação aberta no Brasil estão presos em ciclos de aprendizado sem tração. A estrutura existe, os cases existem, mas a integração com a estratégia de negócios permanece tênue.

O próximo nível da inovação aberta exige que as corporações redesenhem o modelo, não apenas o processo. Isso significa critérios de seleção mais rigorosos, governança de portfólio e métricas de impacto que vão além do número de pilotos executados.

Macro-tema 05

Inovação Corporativa e Estratégia

Organizações, intrapreneurship, estratégia de TI e liderança

Artigo 1 08 mai 2026

As três forças que estão redesenhando as organizações em 2026

A McKinsey ouviu mais de 10.000 líderes em 15 países. O resultado incomoda: 72% admitem que suas organizações não estão prontas para o que vem pela frente. Não é falta de diagnóstico. É falta de preparo real.

O relatório State of Organizations 2026 aponta três forças que operam simultaneamente: a infusão de tecnologia (IA, automação e analytics redesenhando processos e estruturas), a disrupção econômica e geopolítica crescente, e as mudanças profundas no workforce. Nenhuma dessas forças é nova. O problema é que agora atuam juntas, em velocidade que as organizações não estão calibradas para absorver.

As barreiras são previsíveis: 47% apontam progressão de carreira limitada, 43% falta de incentivos adequados, 38% baixo engajamento. Três variáveis organizacionais clássicas. Nenhuma delas resolve com tecnologia. Resolvem com gestão.

Para inovação corporativa: não adianta montar um programa de inovação sobre uma base organizacional que não sustenta nem a operação atual. A ambidestria começa pela cultura. O resto é consequência.

Artigo 2 08 mai 2026

A agenda do CIO em 2026: agilidade, risco e tenacidade como diferenciais de performance

94% dos CIOs esperam mudanças significativas nos planos nos próximos 24 meses. E apenas 18% praticam repriorização dinâmica fora dos ciclos anuais. Como essas duas afirmações convivem na mesma organização?

O Gartner estruturou a agenda de 2026 no framework A.R.T.: Agility (realinhamento ágil de portfólio), Risk readiness (preparo proativo para riscos geopolíticos e de soberania) e Tenacity (tenacidade na geração de valor financeiro mensurável). Os dados sustentam a tese: os 18% que reprioritizam dinamicamente têm 24% mais chance de performance acima da média. Os 28% que gerenciam risco geopolítico proativamente têm 51% mais chance de outperformance.

O paradoxo não é de conhecimento. É de comportamento organizacional. Sabemos o que fazer. Não fazemos.

Para CIOs brasileiros: agilidade de portfólio não é Sprint nem SAFe. É capacidade de descontinuar o que não entrega e realocar orçamento sem esperar o próximo ciclo de planejamento. Isso exige coragem política. Aí mora o real diferencial.

Artigo 3 10 mai 2026

41 anos de pesquisa sobre intraempreendedorismo: o que a ciência consolidou

Quarenta e um anos de pesquisa. 660 artigos revisados por pares. Uma análise bibliométrica publicada em 2026 na Cogent Business & Management mapeou o campo desde 1983 até 2025. O achado mais surpreendente: iniciativas intraempreendedoras têm taxa de sucesso de até 80%, contra cerca de 20% das startups independentes.

A razão está nos habilitadores organizacionais que só uma empresa estabelecida pode oferecer: suporte ao desenvolvimento e design de trabalho, disponibilidade de recursos, estilo de liderança e cultura de inovação. Sem os quatro, a taxa despenca.

O dado de 80% de sucesso merece leitura crítica: ele pressupõe que os habilitadores estejam presentes. Quando a empresa empurra intraempreendedorismo sem dar autonomia, recurso ou proteção cultural, o resultado é o oposto: inovação cosmética, gente frustrada e mais uma iniciativa que virou PowerPoint.

A pesquisa também revela que o campo ganhou tração científica expressiva a partir de 2014, e os temas que dominam a agenda atual são transformação digital, sustentabilidade e inovação social.